Citação

As 10 mais de 2016

  1. Nossa, você trabalha pra uma empresa gringa. Deve ser bom isso, né?
  2. Nossa, você trabalha em casa. Deve ser bom isso, né?
  3. Nossa, você ganha seu salário em dólares! Deve ser bom ser rica, né?
  4. O que? Contas para pagar? Isso é mundano demais para você. Você é rica, ganha em dólar, não está no mesmo nível de nós, meros mortais.
  5. Nossa. Pára de reclamar da economia brasileira. Você ganha em dólares, não tem do que reclamar.
  6. Nossa. Como assim você não vai para o Canadá este ano ainda? Você ganha suuuuper bem.
  7. Nossa. Capaz que você tá com dificuldade. Você ganha bem. E em dólar, olha que privilégio.
  8. Ué… não pode sair porque tem que trabalhar? Pra que, você ganha bem, não precisa se matar 16 horas por dia.
  9. Ué… você tem tua própria empresa digital, você trabalha em casa, pode sair a hora que quiser, trabalhar quando quiser…
  10. Eu não quero que você me ensine. Eu quero que você resolva.

E quando eu falo, acham exagero.

O Exercício do Amor

O Exercício do Amor

Hi, fucked world…

Fuçando nos meus antigos arquivos, encontrei esse texto. Pessoalmente, apesar de ter perdido contato com a autora, sinto muita falta dela e de sua sabedoria. E eu simplesmente adoraria colocar em prática tudo o que ela um dia escreveu. Não postei por motivo especial, mas é sempre bom falar de amor. =}

Pode ser utopia, mas vale a leitura.

O Exercício do Amor

Witch Girl Eillen (Saudades…)

Amor existem muitos. De variadas formas e tamanhos. É assim entre irmãos, pais, filhos, amigos, afilhados, coisas, bichos e até‚ com os opostos que se atraem…

Eu não creio que os laços do coração bastam para manter duas pessoas juntas.

Uma permanente comunicação sobre os medos e desejos, é necessária. Como também é absolutamente necessária a compreensão de que: Estabelecer uma
relação é ir mais longe do que os sentimentos, é aproximar e ligar entre si as diferenças. É fazer com que essas diferenças/barreiras se transformem em pontes.

O amor desconhece qualquer lei. Destrói qualquer velha certeza. Arromba preconceitos. Salta o muro. Assalta o não. Derruba as torres da razão. Dá murros na moral. Ri de qualquer condição e é atemporal.

A gente não ama simplesmente porque quer. É necessária uma deliciosa mistura de espera e de ternura, de sede e de força de viver.

E mesmo que esse encontro aconteça, para estabelecer uma relação de qualidade é preciso duas pessoas. Duas pessoas querendo, prá começar. Duas pessoas para rebater a bola do carinho.

É preciso que o outro também descubra sem que a gente precise sugerir e
muito menos impor, que o carinho é um valor seguro, que permite agradar ao outro apenas por querer agradá-lo. Não aquele carinho infantil, sempre mais ou menos interesseiro, mas um carinho de pessoas adultas, que sabem o que querem da vida. Que buscam no outro, não a dependência ou a responsabilidade pela sua felicidade, mas uma troca nutritiva e sadia rumo ao infinito de si mesmos.

Entre duas pessoas que se aplicam em crescerem juntas, respeitando a individualidade do outro, esse carinho pode ter um sabor raro.

E então o exercício do amor pode acontecer de forma simples, plena e diária, através dos seguintes gestos, beijos, ações, babilaques:

Gostar de dormir abraçados. Ficar de pernas pro ar. Tomarem juntos chocolate quente no inverno e sorvete no verão. Abrir presentes. Trocar bilhetinhos apaixonados. Escrever uma carta dizendo o tamanho do amor que sente.

Mandar e receber flores. Fazer viagens de aventura. Conhecer lugares diferentes. Ir de novo num lugar que a gente achou demais. Acreditar em papai noel. Não acreditar em bicho-papão. Rolar de rir vendo desenho animado na tv. Ouvir música. Cantar. Dançar solta. Dançar colada. Fazer poesias, Recitar Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Mário Quintana e todos os outros que fazem a nossa cabeça. Andar de mãos dadas. Pichar uma declaração de amor, num muro à noite (isso não é só menino que faz não!) em uma rua deserta. Olhar nos olhos. Tomar banho de cachoeira. Gostar de um lindo dia de sol. E em noites de chuvas, debaixo das cobertas, fazer no corpo, novas descobertas. Dar o primeiro beijo. Dar o segundo beijo. O milésimo beijo. Aqueelee beijo. Não dar beijo algum e ao invés disso, dar aquela mordidinha. Chamar o outro de bonitão mesmo naqueles dias em que ele está se sentindo um cão molhado de chuva. Não ficar brava só porque ele quebrou aquela taça que a gente gostava. Ler muito. Aprender sempre.

Ler estórias em quadrinhos. Fazer palavras cruzadas. Viajar para o interior. Planejar “aquela” viagem ao exterior. Montar quebra-cabeça. Namorar pelo telefone. Namorar, namorar e namorar. Fazer cafuné. Dar colinho. Olhar as estrelas. Descobrir juntos coisas novas. Conhecer novas pessoas. Sair juntos como os amigos seus e dele. Sair somente com seus amigos. Não se chatear quando ele preferir sair somente com os amigos dele Se descobrir mudando sempre. Amadurecendo a cada dia. Brincar de médico. Comer pipoca assistindo um filme em casa. Ganhar abraço macio e colado. Dar abraço colado e macio.

Manter a forma de um jeito prazeroso. Procurar ser cada vez mais saudável, mente, corpo e espirito. Dizer “eu te amou. Ouvir “eu te amo”. Deixar que o outro nos flagre olhando e sorrindo. Dar muita risada. Pedir colo.
Balançar na rede. Procurar sempre falar a verdade. Andar de pés descalços na grama.
Fazer massagens nos pés. Nas mãos. No corpo todo. Contar piadas. Não calar a risada. Cuidar de si. Cuidar um do outro. Cuidar do amor. Cuidar do cuidado.
Fazerem juntos um sanduíche ou um chá de madrugada. Fazer guerra só de travesseiros. Administrar os problemas que surgirão conversando sempre.
E sempre, de forma prática e serena. Desligar o despertador e continuar
dormindo abraçados. Acordar e ficar até tarde na cama. Correr pela chuva de mãos dadas. Ir ao cinema. Ir ao teatro. Assistir a shows. Dar shows de criatividade e de superação de si mesma. Roubar um beijo. Ficar de bobeira.

Rolar no chão. Brincar com os sobrinhos dele. Chorar de rir. Dar curto circuito. Dizer coisinhas no ouvido. Ficar com tesão. Dar tesão. Tirar a roupa. Fazer amor sem pressa. De mil e uma formas diferentes, mas sempre com muito carinho. Explodir por dentro. Subir pelas paredes. Fazer o outro subir contigo. Depois, em silêncio, se olhar nos olhos e se descobrir plena, inteira, integra, digna e feliz. Ficar quietinha. Coladinha Dormir juntinha. Acordar de madrugada. Assistir ao por-do-sol. Sonhar acordada. Se permitir fazer o que nunca pode, conseguiu ou deixaram ser. Pular na cama de mãos dadas. Sair p/ mato. Procurar cristais. Ir a praia. Catar conchinhas. Como quem não quer nada, querer tudo. Falar sério. Falar abobrinha. Ir além do aqui e agora. Brindar a vida. Tomar vinho. Tomar banho juntos. Lavar os cabelos dele com jeitinho p/ não machucar. Enxugar o corpo dele de preferência, deixando tatuado nele, muitos beijinhos. Inventar uma música. Escolher uma música como tema desse amor. Suspirarem juntos ouvindo abraçados “em algum lugar do passado”. Tremer de emoção. Se flagar no colégio, lembrando e sorrindo, se descobrindo apaixonada. Deixar o outro ganhar no jogo, (principalmente quando a gente percebe que ele teve um dia difícil no trabalho) e depois quando ele disso reclamar, a gente fazer de conta que não sabe do que ele está falando. Reconhecer quando errou e honestamente pedir desculpas.

Ficar verdadeiramente agradecida por uma ação gentil, um cuidado, uma preocupação, uma consideração. Dar a certeza de que o outro pode contar contigo. Saber que pode contar com o outro, porque antes de qualquer outra coisa, vocês são amigos.
Ficar á vontade. Ser a mais expontânea possível e na presença do outro, se “sentir em casa”. Sem medos, sem vergonha, sem preconceitos, sem defesas, sem se sentir coagida, pressionada, vigiada e cobrada. Ter a certeza de que vocês estão juntos, porque se escolheram e porque essa é a melhor opção, e por isso mesmo, entender que não há necessidade de ciúmes excessivos, cobranças e patrulhamentos sem sentido. Nunca, em nenhuma hipótese, por insegurança ou “autenticidade” tratar um ao outro com grosserias e baixarias.
Ficar preocupada quando perceber que o outro não estiver bem. Tentar ajudá-lo.
Falar com ele. Ouvi-lo. Mas entender sempre que “não se ajuda quem não quer ser ajudado”. Se descobrir “morrendo de saudades” e ligar de repente, só prá dizer isso. Respeitar em si e no outro suas crenças, suas ideologias e seus gostos pessoais. Deixar muito claro que, se vocês discutirem, estarão discutindo por idéias, pontos de vistas, etc. e nunca um com o outro como se fossem adversários. Estimulá-lo a ser cada vez melhor. Reconhecer os progressos do outro. De um jeito muito pessoal e as vezes difícil de explicar, desde o primeiro momento que vocês, se encontrem, sentir uma grande, enorme vontade de protege-lo das maldades do mundo para que ele não se machuque mais (como coisa que a gente pode evitar isso!). E, sempre, continuar acreditando que, como diz aquele escritor, “AMAR PODE DAR CERTO”.

Complexo de Sininho e Complexo de Wendy

Complexo de Sininho e Complexo de Wendy

Esse texto eu li há tantos anos, e ainda me lembro dele o tempo todo quando olho pra mim mesma e meus relacionamentos e minha vida. Deveria ser uma verdade sobre todos os relacionamentos desse mundo contemporâneo e gelado…

Mas ultimamente não quero Peter Pans, e sim um dos Garotos Perdidos… Tou meio cansada de ser Sininho…

Retirei o original do site http://www.mulherzinhagirlie.blogspot.com/

Escrito por Bruna Paixão.

Outro dia eu estava na praia, tomando água de coco e pegando um bronze. Não tinha nada pra fazer e simplesmente adorava isso; inclusive estava me perguntando por quê não tinha nascido milionária. Era uma pergunta sem resposta. Virei para meu companheiro de praia, sentado na cadeira ao lado, e declarei: “Sabe de uma coisa, acho que sofro de um enorme Complexo de Peter Pan.” Ele respondeu que Complexo de Peter Pan era só pra homem, que nesse caso eu teria que sofrer de Complexo de Sininho. Eu disso: “Então, que seja de Sininho. O negócio é que eu não quero crescer.”

Meu amigo perguntou por quê. Ele, como representante legítimo do Complexo de Peter Pan – nós andamos em grupo – estava querendo saber se eu tinha características suficientes para ser uma complexada. “Muito simples, posso dar a você uma lista”, eu disse. Ele me desafiou com um: então comece. E nós, eternas crianças, saímos do controle quando somos desafiadas.

Pra começar, eu tenho 25 anos e ainda moro com os meus pais. Tudo bem, em parte isso é culpa da realidade sócio-econômica do nosso país, que faz com que seja muito mais difícil para os jovens brasileiros adquirirem seu cantinho de liberdade do que é na Europa, por exemplo. Mas existe uma outra coisa por baixo disso… Existe a comodidade. Uma das principais características dos que querem viver na Terra do Nunca.

Outra coisa: saio para o mesmo tipo de bar e boate desde que eu tenho 16 anos. Juro. Hoje confesso que fico um pouco deprimida quando vou a uma festa e ouço as mesmas músicas que tocavam na Basement, inferninho carioca que inaugurou a minha boemia. Já se passaram 6 anos, caramba, e o povo ainda está ouvindo isso? Depois eu penso: “que se dane” e fico cantando Candy, do Iggy Pop, no meio da pista.

Terceiro ítem: não tenho nenhuma maturidade para relacionamentos sérios. Toda vez que arrumo um namorado que dura mais de seis meses, a cena se repete: ciúmes, possessão, etc etc. Quando alguém me diz namora há oito anos, eu acho que a pessoa é um ser iluminado. Porque eu imagino que relacionamentos longos devem significar entendimento mútuo e amadurecimento – ou seja, incompatíveis comigo. E aí está a minha quarta característica infantil: acreditar que homens e mulheres podem se entender e se respeitar.

O ponto definitivo para a conclusão de que realmente eu sofro de Complexo de Sininho é a atração irresistível por homens com Complexo de Peter Pan. Tão complicadinhos. Com medo de tudo. Tão extremamente freaudianos e édipos, procurando a mãe na figura feminina de cada esquina…

Não sou só eu que gosto de homens assim. Elas também gostam. Elas, as mulheres- absolutas. As que são centradas e têm jeito de mãe. As que exibem sempre conselhos sensatos para horas de desespero. As Complexo de Wendy!

Conheço poucas assim – elas não se misturam com tipos como eu. Mas sei que existem. Elas andam com segurança e fazem mais dinheiro do que eu farei aos 30. Geralmente elas têm cabelos lisos. Tudo em suas vidas é centrado e pesado e discutido com a boa e a má consciência. A única situação que escapa do controle dessas mulheres é o amor pelos Peter Pans.

Esses homens que nunca crescem despertam a mãe que mora dentro das Wendys. Elas já eram loucas pra soltar esse lado há muito tempo e de repente – voilá – têm a oportunidade perfeita nos Peter Pans. Esse casal se completa. Ying e Yang. Positivo e Negativo. Quando se encontram, são felizes para sempre.

Peraí, e as Sininhos? Bom, as Sininhos não são seres humanos. Elas podem ficar sozinhas (e amaldiçoar até a morte a oponente Wendy). Aliás, ninguém nunca sabe quando uma Sininho está triste ou alegre. Porque, nos dois casos, ela passa glitter nos olhos e sai pra dançar. Geralmente a mesma música que tocava há seis anos na Basement.